Hoje é sábado, 27 de dezembro. Ontem foi o Dia de Estêvão, o primeiro mártir, e hoje, incomumente, é outro dia de festa – o da evangelista americana Emma Cotton, que morreu neste dia há setenta e dois anos. Em dias de festa, fazemos uma pausa em nossos ritmos habituais para celebrar as histórias e aprender com as vidas dos heróis da fé, cujo testemunho coletivo incorpora nossas seis práticas no coração do Lectio 365. São elas: oração e criatividade, justiça e hospitalidade, aprendizado e missão. Hoje estamos agradecendo a Deus pela extraordinária coragem de Emma Cotton, uma heroína pioneira da oração e missão.
Ao entrar em oração agora, faço uma pausa para me aquietar; para respirar lentamente e para reorientar meus sentidos dispersos na presença de Deus.
Oração de Aproximação
Deus de resgate e restauração, obrigado por tua grande e bela missão no mundo. Desafia-me e muda-me hoje, enquanto aprendo com a vida de tua serva Emma Cotton. Incendeia-me com a urgência do evangelho.
Eu escolho me alegrar hoje no destino glorioso que Deus me deu, unindo-me ao antigo louvor de todo o seu povo com as palavras do Salmo 73…
Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória. Quem tenho eu no céu além de ti? E quem poderia eu querer na terra além de ti? Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre.
Nascida em uma família crioula* na Louisiana em 1877, Emma Cotton ganhou destaque durante o Avivamento da Rua Azusa em 1906, que desencadeou os movimentos pentecostais e carismáticos mundiais.
A sala de oração que funcionava dia e noite na Rua Azusa, em Los Angeles, tornou-se uma fornalha de poder espiritual que abalou a nação. Seu líder, William J. Seymour, filho de escravos afro-americanos libertos, recebia tanto mulheres quanto homens para pregar e também os enviava para plantar igrejas.
“É contrário às Escrituras”, escreveu ele, “que a mulher não tenha sua parte na obra de salvação para a qual Deus a chamou… É o mesmo Espírito Santo na mulher e no homem.”**
Neste ambiente dinâmico, Emma Cotton floresceu, chegando a fundar nada menos que oito congregações pentecostais em Los Angeles e nos arredores de Oakland, no norte da Califórnia. Muitos se ofenderam ao ver Deus usando afro-americanos, e especialmente mulheres, neste novo mover do Espírito. Mas as “mães do evangelho” como Emma Cotton continuaram a atiçar o fogo da Rua Azusa, espalhando seu poder para cerca de 644 milhões de crentes carismáticos e pentecostais hoje.
Diante de uma cultura opressiva e desdenhosa que tentou confinar Emma Cotton à insignificância, sinto-me inspirado pela resiliência e ousadia da sua fé.
Senhor, que eu possa sempre ouvir o teu convite, e não as vozes – incluindo aquelas em minha própria cabeça – que me dizem o que não posso fazer.
Olhando para o próximo ano, e imaginando alguns dos jovens em minha própria comunidade da igreja, oro para que o Espírito Santo levante uma nova geração de santos surpreendentes como Emma Cotton.
Refletindo sobre suas experiências no avivamento da Rua Azusa, Emma Cotton escreveu:
Quando o poder desceu, as pessoas deixaram suas grandes igrejas e templos e foram para aquele velho celeiro orar. Os coxos… e os cegos vinham e Deus os curava. Era comum ter três ou quatro mensagens da palavra em uma reunião. Os santos estavam tão saturados com o poder de Deus que aquilo varreu a cidade e, oh, como o poder desceu.***
Oração de Rendição
Senhor, varre minha comunidade e satura minha vida com teu poder e tua presença hoje. Renova minha fé para milagres. Vem, Espírito Santo.
Promessa de Rendição
E agora, enquanto me preparo para levar este tempo inspirador de oração para o dia que começa, o Senhor que me ama e acredita em mim mais do que eu acredito em mim mesmo, diz:
“E acontecerá, depois disso, que derramarei o meu Espírito sobre toda a humanidade. Os filhos e as filhas de vocês profetizarão, os seus velhos sonharão, e os seus jovens terão visões. Até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias.
Oração Final
Pai, ajuda-me a viver este dia plenamente, sendo fiel a ti, em tudo.
Jesus, ajuda-me a doar-me aos outros, sendo gentil com todos que eu encontrar.
Espírito, ajuda-me a amar os perdidos, proclamando a Cristo em tudo o que eu fizer e disser.
Amém.
* No original em inglês, Creole designa uma identidade étnico-cultural específica (comum na Louisiana e Caribe). O termo não carrega conotação pejorativa ou racial; trata-se de uma designação histórica de herança e geografia, distinta do uso ofensivo que a palavra pode ter no Brasil.
** De um artigo sem título em The Apostolic Faith (Los Angeles, CA: 1.12, janeiro de 1908) citado por Cecil M. Robeck Jr em ‘Women in the Pentecostal Movement’ (https://fullerstudio.fuller.edu/women-in-the-pentecostal-movement/).
*** Estrelda Alexander, The Women of Azusa Street (Seymour Press, 2012), p. 161.