Oração da manhã

Christina Rossetti

Pedro Felizola
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É terça-feira, 23 de dezembro, e hoje celebramos a vida da poetisa Christina Rossetti, autora de uma das canções de Natal mais amadas de todos os tempos, que faleceu em 29 de dezembro de 1894.

Olhe para Deus

Ao entrar em oração agora, faço uma pausa para me aquietar; para respirar lentamente e para reorientar meus sentidos dispersos na presença de Deus.

Oração de Aproximação

Oro agora com as palavras de Christina Rossetti:

Senhor, dá-me olhos para ver e ouvidos para ouvir
E alma para amar, e mente para entender… Amém.*

Reflita e Alegre-se na Palavra

Escolho alegrar-me com a imensa bondade de Deus hoje, unindo-me ao antigo louvor de todo o povo de Deus com as palavras do Salmo 86…

Nascida em Londres em 1830, filha de pais italianos, Christina Rossetti tornou-se uma das maiores poetisas do século XIX. Escrevendo em uma época tumultuada, quando normas religiosas e culturais há muito estabelecidas estavam sendo abaladas, assim como ocorre hoje, a obra de Rossetti explora temas de fé e dúvida, liberdade e convenção. Como uma das principais expoentes do movimento radical pré-rafaelita, ela procurou desafiar a sociedade com uma arte cheia de sentimento e significado, lutando com questões de fé e expressando o desejo espiritual, ao mesmo tempo em que abordava injustiças sociais, desde a crueldade contra os animais até os males da escravidão na América. Durante toda a sua vida, ela lutou com a saúde debilitada, mas serviu em um centro de acolhimento a prostitutas e optou por permanecer solteira quando pretendentes, embora elegíveis, não eram espiritualmente compatíveis.

Christina Rossetti é hoje mais conhecida por sua canção de Natal “In the Bleak Midwinter”, musicada por Gustav Holst. E assim, nestes dias sagrados próximos ao Natal, volto minhas orações para explorar estas palavras familiares, uma estrofe de cada vez, começando com seus famosos versos iniciais:

Em meio ao inverno sombrio
O vento gelado gemia
A terra dura como ferro jazia,
A água como pedra parecia.**

Apresente seus pedidos

Fico impressionado com esta imagem da “terra dura como ferro” e com a aspereza do ambiente em que Jesus nasceu. Será que eu, por vezes, sinto que minha vida é muito inóspita – muito sombria, muito dura, muito fria – para que Jesus nasça de novo em mim?

Rossetti contrasta os seres angelicais que lotavam o ar, enquanto:

Apenas Sua Mãe
Em sua felicidade virginal
Adorava o Amado
Com um beijo.

Pensando agora em uma mãe que possa estar achando estes dias particularmente exigentes, oro para que ela conheça a alegria da intimidade como Maria com seu filho e, de alguma forma, nesse momento, com Jesus também.

Renda-se a Ele

Uma das coisas mais belas desta canção é sua perspectiva feminina, contrastando o etéreo-eterno com o material-maternal. “Suficiente para ele”, escreve Rossetti…

A quem os querubins
Adoram noite e dia,
Um seio cheio de leite
E uma manjedoura cheia de feno

Pregadores frequentemente protestam contra o materialismo no Natal, os jornais estão cheios de regimes de condicionamento físico e planos para organizar minha casa, e eu consigo entender o porquê. Mas Rossetti me lembra que o Natal deve ser uma celebração das coisas materiais subitamente imbuídas do espiritual. E assim, pensando sem vergonha na comida que comi, nos presentes que recebi e na estranha mistura de pessoas com quem passei os últimos dias, agradeço pelas muitas bênçãos materiais de Deus.

Oração de Rendição
Abrindo as mãos em meu colo, eu me rendo novamente ao Senhor nas palavras do último verso de Rossetti:

O que posso dar a Ele,
Pobre como sou?
Se eu fosse um pastor
Traria um cordeiro;
Se eu fosse um Rei Mago
Eu faria minha parte,
Contudo, o que posso dar-lhe,
Dou-lhe meu coração.

Promessa de Rendição
E agora, enquanto me preparo para levar este tempo de oração para o dia que se inicia, o Senhor que me ama (e a quem entreguei meu coração), gentilmente o devolve para mim, com esta bela garantia:

Oração Final

Que este dia traga descanso sabático ao meu coração e ao meu lar.
Que a imagem de Deus em mim seja restaurada, e minha imaginação em Deus seja recontada.
Que a gravidade das coisas materiais seja aliviada, e a relatividade do tempo desacelere.
Que eu conheça a graça de abraçar minha própria finita pequenez nos braços da infinita grandeza de Deus.
Que a Palavra de Deus me alimente e Seu Espírito me guie para a semana e para a vida vindoura.

* Personalizado de “Lord, Grant me Eyes” em Christina Rossetti, The Complete Poems (Penguin Classics, 2001), p. 392.

** Christina Rossetti, The Complete Poems (Penguin Classics, 2001), p. 210.

*** Pete Greig, A Sabbath Blessing www.DirtyGlory.org

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