Hoje é segunda-feira, 22 de dezembro. O Natal está quase chegando. E assim, enquanto me aproximo de Belém, preparo meu coração agora para receber novamente o milagre do “infinito reduzido à infância”* de Deus — a vinda de Jesus Cristo.
Mas primeiro, nesta época tão corrida, ao entrar em oração agora, faço uma pausa para me aquietar; para respirar lentamente e para reorientar meus sentidos dispersos na presença de Deus.
Oração de Aproximação
Senhor, no início desta semana especial, atrai-me para a tua profunda e eterna quietude. Abro meus ouvidos agora para ouvir o teu sussurro, preparando silenciosamente meu coração para receber a maravilha da tua vinda no Natal.
Eu escolho me alegrar no terno amor do Pai por mim hoje, unindo-me ao antigo louvor de todo o povo de Deus com as palavras de Oseias 11…
“Quando Israel era menino,
eu o amei; e do Egito chamei o meu filho.
Mas fui eu que ensinei Efraim a andar; tomei-os nos meus braços, mas eles não entenderam que era eu que os curava.
Atraí-os com cordas humanas,
com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre o pescoço e me inclinei para dar-lhes de comer.”
Hoje, volto à história da natividade, enquanto Isabel e Zacarias se maravilham com o presente milagroso de seu filho, João — primo e precursor de Jesus. Contemplando o rosto deste recém-nascido, Zacarias começa a profetizar sobre o chamado de Deus para a vida dele…
E você, menino, será chamado profeta do Altíssimo, pois irá adiante do Senhor, para lhe preparar o caminho, para dar ao seu povo o conhecimento da salvação, mediante o perdão dos seus pecados, por causa das ternas misericórdias de nosso Deus, pelas quais do alto nos visitará o sol nascente para brilhar sobre aqueles que estão vivendo nas trevas e na sombra da morte, e guiar nossos pés no caminho da paz”.
Eu imagino Isabel segurando as lágrimas enquanto Zacarias embala seu lindo bebê no colo. Amigos e familiares estão reunidos ao redor, maravilhados com o milagre diante de seus próprios olhos. O homem idoso, que agora é um novo pai, começa a profetizar, e é fácil imaginar essas palavras famosas sendo ditas pela primeira vez em tons grandiosos e ressonantes. Mas, certamente não. Ninguém grita na presença de um bebê! Zacarias devia estar falando de forma muito gentil, baixa e calma. Imagino a ternura em seus olhos enquanto ele sussurra estas palavras: “por causa das ternas misericórdias de nosso Deus.”
Ao crescer, João deve ter ouvido muitas vezes sobre a profecia de seu pai e refletido profundamente sobre seu significado em oração. Existe uma palavra profética não cumprida sobre minha vida, ou um senso de chamado não realizado que estou carregando? Enquanto este ano se aproxima do fim, converso com meu Pai celestial agora sobre os propósitos dele para minha vida.
Em vez de orar por seu filho, Zacarias profetiza sobre ele. Ele não fala apenas com Deus em favor de João, mas para João em nome de Deus. Palavras ditas sobre crianças podem ser extraordinariamente poderosas, para o bem ou para o mal. Pensando agora em um jovem específico, eu declaro em voz alta uma bênção sobre a vida dele, não na forma de uma oração por ele a Deus, mas como uma palavra profética de Deus para ele.
Ao retornar a esta famosa passagem, ouço atentamente não apenas as próprias palavras, mas meu próprio coração, prestando atenção especial a quaisquer emoções que elas possam despertar dentro de mim..
E você, menino, será chamado profeta do Altíssimo, pois irá adiante do Senhor, para lhe preparar o caminho, para dar ao seu povo o conhecimento da salvação, mediante o perdão dos seus pecados, por causa das ternas misericórdias de nosso Deus, pelas quais do alto nos visitará o sol nascente para brilhar sobre aqueles que estão vivendo nas trevas e na sombra da morte, e guiar nossos pés no caminho da paz”.
Existe uma palavra ou frase aqui na profecia de Zacarias que me comove de alguma forma, ressoa com minha situação atual ou me provoca a pensar?
Aquela frase cativante, “as ternas misericórdias de nosso Deus” (v. 78), se destaca em total contraste com a aspereza do meu mundo hoje. Em algum lugar lá no fundo, acho que estou ansiando por bondade, gentileza e graça simples, em uma cultura de tanto cinismo e ofensa. E é assim que quero ser neste Natal: “compassivo e bondoso; tardio em irar-se e grande em misericórdia” (Salmos 103:8). Henri Nouwen coloca desta forma: uma pessoa gentil é “alguém que pisa levemente, ouve com atenção, olha com ternura e toca com reverência. Em nosso mundo duro e muitas vezes inflexível”, diz ele, “nossa gentileza pode ser um lembrete vívido da presença de Deus entre nós.” **
Oração de Rendição
Jesus, eu me rendo à ternura da tua misericórdia e ao encanto do teu amor hoje. Obrigado porque há sempre mais graça em ti do que pecado em mim, mais afeto em teu coração do que aflição no meu, e que, de alguma forma, tu acreditas em mim mais do que eu acredito em ti.
Promessa de Rendição
E agora, enquanto me preparo para levar este tempo de terna oração para a agitação do dia que se inicia, o Senhor me assegura novamente através do profeta Oseias:
Quando você era criança, eu o amei… você não entendeu que era eu quem o curava.
Eu o atraí com cordas humanas, com laços de amor.
Oração Final
Pai, ajuda-me a viver este dia plenamente, sendo fiel a ti, em tudo.
Jesus, ajuda-me a doar-me aos outros, sendo gentil com todos que eu encontrar.
Espírito, ajuda-me a amar os perdidos, proclamando a Cristo em tudo o que eu fizer e disser.
Amém.
* Gerard Manley Hopkins, from his poem “The Blessed Virgin”, https://hopkinspoetry.com/poem/the-blessed-virgin/.
** Henri Nouwen, Bread for the Journey: A Daybook of Wisdom and Faith. (HarperOne, 2006), p. 43.