É domingo, o dia sabático de descanso sagrado e santo, no qual o povo de Deus o adora imitando seu ritmo de criação.
No meio deste dia, escolho fazer uma pausa — pedindo ao Espírito que recentre minha mente dispersa, pedindo ao Pai que derrame sobre mim seu amor infinito e pedindo a Jesus que interrompa minha agenda com a sua própria.
Deus eterno deste momento presente, enquanto a terra gira e o sol queima, meu coração anseia por ti. Em meio à minha agitação, no meio do meu dia, busco consolo em tua quietude, ecoando agora a antiga oração oferecida nesta hora e em todas as épocas, desde o nascimento de tua Igreja:*
Pai nosso, que estás nos céus,
santificado seja o teu nome.
Venha o teu Reino;
seja feita a tua vontade,
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dá hoje.
Perdoa as nossas dívidas,
assim como perdoamos aos nossos devedores.
E não nos deixes cair em tentação,
mas livra-nos do mal.
Pois teu é o Reino, o poder e a glória, agora e para sempre.
Amém.
Durante toda a semana, oro “venha o teu Reino”, assim como Jesus nos ensinou. No entanto, neste dia sabático de santo descanso e celebração, permito que a mesma oração sintonize meu coração e avive minha imaginação em uma direção diferente — não em intercessão pelas pessoas, lugares e situações onde o Reino de Deus está ausente, mas em gratidão por todo e qualquer lugar onde vejo o Reino eterno de Deus hoje.
Dentro da tradição rabínica, o dia de Sábado era um dia reservado para parar — parar até mesmo nossa intercessão. O Sábado é a “eternidade no tempo”, na linguagem de Abraham Joshua Heschel, um dia sagrado para provar o banquete das bodas celestiais que nos é prometido no retorno de Cristo, e pelo qual aguardamos ansiosamente. Aguçamos nosso apetite por sua grande mesa de festa saboreando as provas que recebemos antecipadamente, aqui e agora, enquanto aguardamos seu retorno.
Assim diz o Senhor Soberano, o Santo de Israel: “Vocês só serão salvos se voltarem para mim e em mim descansarem. Na tranquilidade e na confiança está sua força, mas vocês não quiseram saber.
Isaías sugere que o dia de Sábado é santificado por quatro práticas simples: arrependimento, descanso, quietude e confiança. Embora esta semana tenha incluído tropeços, trabalho inacabado, agitação e esforço, hoje me movo na direção oposta — confiando na competência de Deus onde me falta e descansando em sua força.
Deus de arrependimento e descanso: Eu humildemente nomeio qualquer pecado não confessado desta semana que passou, descansando em teu perdão. Obrigado porque a história da minha vida não precisa ser sobre minha perfeição, pois pertenço a Jesus. Permito que Tu me vistas de Cristo agora, Pai, e respiro fundo, com gratidão, enquanto recebo tua graça.
Deus de quietude e confiança: Ofereço a ti minha mente barulhenta, sempre correndo para o passado ou o futuro — reprisando a última coisa ou planejando a próxima. Em vez disso, torno-me presente para ti agora, a fim de que eu possa estar presente para mim mesmo e para todos os outros hoje. Confio que desejas me abençoar e recebo as bênçãos que tens reservadas para mim neste dia de Sábado.
Deus gracioso e compassivo, tardio em irar-se e rico em misericórdia, enquanto continuo o descanso deste dia, que eu possa resistir ao impulso de arrumar minha própria mesa de festa através da ganância, do planejamento e da fuga.
Que eu possa abrir minhas mãos para receber a alegria que não pode ser tomada, mas é livremente concedida.
E que satisfaças meus desejos com coisas boas e renoves minha juventude como a da águia.
Amém.
* A Didaquê, um pequeno livro anônimo de ensinamentos práticos, escrito nos primeiros séculos da Igreja, encoraja os cristãos a fazerem uma pausa e orarem a Oração do Senhor três vezes ao dia. Veja Didaquê, capítulo 9, seções 3-5.